
Diplopia é o termo técnico para visão dupla. Trata-se de uma condição médica que nem sempre reflete uma mazela grave mas, de modo geral, assusta o médico assistencislista e o próprio paciente. Para compreender as causas da diplopia é necessário ter certo conhecimento sobre os nervos que regem a musculatura extra ocular. Afinal, a paralisia de um ou mais desses músculos gerará dificuldade para o normal movimento dos olhos e, consequentemente, a visão dupla. Portanto, a diplopia é causada pela imobilidade de um ou mais músculos extra oculares.
Os movimentos dos olhos são regidos por 06 músculos: os retos superior, inferior, medial e lateral e os obliquos superior e inferior. Essas estruturas são inervadas por 03 nervos: o oculomotor ou III par craniano, o troclear ou IV par craniano e o abducente ou VI par craniano, da seguinte forma.
Oculomotor – Retos superior, inferior e medial e obliquo superior;
Troclear – Obliquo inferior;
Abducente – Reto lateral.

Desse modo, o funcionamento inadequado de um desses nervos irá causar uma paralisia ocular especifica e, consequentemente, a diplopia.

Clinicamente, é fácil reconhecer uma paralisia de um músculo extra ocular. Todavia, muitas vezes é difícil estabelecer a causa do problema. Afinal, cada par craniano é propenso a ser afetado por injúrias diversas.
Oculomotor – O III par craniano pode ser afetado em 04 pontos distintos: no tronco cerebral, no espaço subaracnóideo, no seio cavernoso e na órbita.
# Tronco cerebral – Se o nervo for afetado nessa região pode desencadear duas síndromes características: a Sindrome de Weber (associada a hemiplegia contralateral) e a Sindrome de Benedikt (associada a ataxia contralateral).
# Espaço subaracnóideo – Nesse ponto, a lesão do III par craniano geralmente se deve a trauma do nervo ou a um aneurisma de artéria comunicante posterior.
# Seio cavernoso – Se o oculomotor for afetado no seio cavernoso irá ocorrer a Sindrome de Horner (lesão concomitante de IV e VI nervos).
# Órbita – Injúria do III par na órbita, geralmente, está associada a lesão do nervo óptico e exoftalmia.
Troclear – O nervo troclear é comumente lesionado por traumatismo, mas também pode ter seu funcionamento prejudicado por diabetes, problemas de tireóide, miastenia gravis e massas orbitais (tumores).
Abducente – O nervo abducente é danificado por causas isquêmicas vinculadas a picos hipertensivos ou diabetes. Arterite de células gigantes também pode ser uma causa o que indica solicitar VSG.
A investigação engloba um exame de imagem como tomografia ou ressonância, glicemia de jejum (diabetes), perfil lipídico (aterosclerose), VSG (doenças inflamatórias), avaliação cardiológica (doença hipertensiva) e verificar a história de trauma, meningite, enxaqueca, herpes zoster e alcoolismo.
O tratamento envolve manejar a causa de base caso esse seja conhecida. Se isso não for possível deve-se observar. Exercícios oculares são bem vindas e, se for uma paralisia dolorosa, prednisona 60mg/dia por 05 dias pode ser prescrita.
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